Notícia
EDUCA|MA Um Congresso pensado para o Maranhão
Em dois dias de congresso, gestores, diretores e coordenadores escolares viveram em São Luís uma experiência que misturou ciência, liderança e emoção — e descobriram que a transformação da educação pode começar aqui.
Abertura
Organizado pelo Sindicato de Estabelecimentos de Ensino no Estado do Maranhão (Sinepe/MA), a 1.ª edição do EDUCA|MA - Congresso de Líderes Educacionais, reuniu nos dias 8 e 9 de abril, líderes educacionais de instituições privadas de ensino, em São Luís, para dois dias de atualização, inovação e networking. A proposta era ambiciosa: trazer para a capital maranhense o nível de debate que habitualmente migra para os grandes centros — e fazê-lo com identidade local.
A programação multidisciplinar cruzou temas como inteligência artificial, neurociência, inclusão, gestão escolar e saúde emocional, estruturada em palestras, painéis e mesas de debate que não deixaram espaço para passividade. Especialistas do Brasil e da Finlândia — referência global em educação — dividiram o palco com vozes do próprio Maranhão. O resultado foi um evento que olhou para o mundo sem perder os pés no chão da realidade regional.
"O Educa|MA foi um congresso pensado para o Maranhão, com maranhenses desenvolvendo a educação aqui. Então, nós estamos muito felizes com o resultado, um resultado positivo, um resultado onde todos os feedbacks, tudo o que foi falado, o que foi tratado, as emoções, as palestras, o conteúdo, a organização, a pontualidade, principalmente a sua participação foi excelente. Queremos agradecer a todos os participantes. Esse congresso foi para você. Do Maranhão para o Brasil." André Israel · Presidente do Sinepe/MA
O que aconteceu no palco
A programação não se contentou em apresentar tendências — quis provocar desconforto produtivo.
A primeira palestra foi dada por Júlio Furtado (RJ). Com o domínio de quem transita entre a teoria e o chão da escola, Furtado conduziu dois momentos densos e complementares ao longo do congresso — um sobre propósito, cultura e diferenciação competitiva nas instituições de ensino, e outro sobre os desafios concretos da liderança escolar. Entre as perguntas que ficaram no ar: o que distingue uma escola que apenas funciona de uma escola que transforma? A resposta, revelou ele, passa sempre pela cultura institucional.
Da Finlândia veio Evelyse Eerola, especialista em educação finlandesa e referência em aprendizagem baseada em brincadeiras e jogos. Evelyse apresentou em dois momentos distintos a filosofia que faz da Finlândia um modelo mundial: a educação como experiência de pertencimento, não de pressão. Sua provocação mais marcante foi a de que o brincar não é o oposto de aprender — é o seu meio mais poderoso. Em outro painel, ela abriu o debate sobre o que o Brasil pode adaptar dessa cultura sem perder sua própria identidade educacional.
A neurociência ganhou voz e profundidade com Telma Pantano (SP), que conduziu duas sessões de alto impacto. Na primeira, trouxe o que a ciência do cérebro revela sobre o papel das habilidades socioemocionais no processo de aprendizagem — uma perspectiva que reposicionou a inteligência emocional não como complemento, mas como base. Na segunda, mergulhou num tema que divide e fascina: como o cérebro reage às decisões e o que isso tem a ver com o avanço da inteligência artificial na educação. A sala prestou atenção.
A inteligência artificial como tema central ganhou tratamento especial num painel que reuniu três especialistas: Mário Ghio (SP), Emerson Santos (SP) e Ricardo Tavares (SP). Juntos, eles discutiram as inovações que já estão impactando o sistema educacional brasileiro — e as que ainda estão por vir. O debate não foi abstrato: o foco esteve em como gestores podem agir agora diante de transformações que não esperam. Harold Schultz Neto (PR), especialista em tecnologia e futuro, aprofundou a discussão em sua sessão dedicada à IA: vilã ou protagonista da educação? Sua resposta foi precisa — depende de quem está no comando.
Mário Ghio também assinou uma das apresentações mais comentadas nos corredores: a que ligou inovação à educação empreendedora, mostrando como instituições que adotam mentalidade de criação e risco calculado saem na frente. CEO da Verbum, ele falou com a autoridade de quem vive os desafios do setor. Emerson Santos, CEO da School of Schools, trouxe ao palco uma perspectiva que poucos ousam assumir: a de que encarar a escola como negócio não é contradição com o projeto educativo — é condição para sustentá-lo. Sua abordagem sobre como elevar o patamar institucional foi direta e gerou debate.
Marcos e Luciana Melo (PR) ocuparam o palco com uma pergunta que muitos presentes já sabiam que viriam — e que ainda assim causou desconforto: o mundo mudou, a escola mudou. Mas a sua escola já percebeu? A dupla, com longa trajetória em inovação pedagógica, apresentou caminhos práticos para instituições que reconhecem o atraso e querem agir. Marcos Méier (PR), abordou os novos modelos mentais da educação tocando em pontos sensíveis da realidade cotidiana dos gestores.
Rosana Mendes Ribeiro (SP) conduziu duas sessões sobre inclusão — e não deixou o tema na superfície. Na primeira, apresentou a inclusão como estratégia de inovação educacional e social: não um ajuste de rota, mas uma reinvenção do projeto pedagógico. Na segunda, desceu ao operacional e mostrou como a adaptação curricular pode efetivamente transformar escolas, redes e projetos. Para muitos gestores, foi o momento mais revelador do congresso.
O Maranhão também teve voz no palco. Genilson Chagas (MA) apresentou o Design Science Research (DSR) como ferramenta de profissionalização da gestão institucional e de pessoas — uma abordagem ainda pouco conhecida nas escolas maranhenses, mas com potencial transformador. Guilherme Oliveira (MA) trouxe um tema urgente e muitas vezes evitado: a reforma tributária e seus impactos diretos no setor educacional.
A saúde mental dos educadores foi tratada com seriedade por Braz Gondim (SP), que apresentou as inovações mais recentes da saúde mental aplicadas à educação e conduziu um painel específico sobre burnout — autoconhecimento, pedido de ajuda e autogerenciamento. Ao seu lado no painel, Ana Carolina Dias (MA) abordou dois temas de alta relevância jurídica e ética: a NR-1 e os riscos psicossociais como dever legal de prevenção, e o ECA Digital e seus reflexos no ambiente escolar. Marcos Méier (PR) fechou o ciclo de palestras com o tema “Saúde Emocional: clima institucional e liderança humana” — um encerramento que sintetizou tudo o que o Educa|MA quis provocar ao longo dos dois dias de evento.
Um painel especial reuniu representantes do Conselho Estadual de Educação do Maranhão (CEE-MA/Câmara de Educação Básica) para um diálogo aberto com os gestores — momento raro de aproximação entre o poder regulatório e as lideranças das instituições privadas de ensino.
A voz de quem viveu
Francisca Maria, gestora da Escola Maria Regueira dos Santos, era uma dessas vozes.
"Estar no Educa|MA é uma oportunidade única. E, assim, eu fico muito feliz enquanto educadora maranhense está participando de um evento tão relevante como esse. Falo com toda propriedade porque, há três anos consecutivos, eu participo do maior evento de educação da América Latina, a BETT Brasil em São Paulo, e hoje eu vejo que em terra maranhense, na minha casa, eu presencio um evento tão grande, com conteúdo e palestrantes renomados, que nos dão uma forma diferente de caminhar."
O paralelo com a BETT Brasil não é mera retórica: é o maior congresso de educação da América Latina. Dizer que o Educa|MA evocou aquela escala, em São Luís, na própria casa, é uma afirmação que pesa. E que celebra. Para uma educadora maranhense com a experiência de Francisca Maria, a diferença não estava no tamanho do evento — estava no endereço.
As marcas que fizeram o Educa|MA 2026 realidade
Nos stands, o evento ganhou corpo. Cada empresa presente trazia uma resposta concreta para os desafios que os gestores debatiam no palco — de tecnologia de gestão a soluções financeiras, de material didático a bem-estar emocional.
Cota Diamante:
Desk — Móveis escolares com foco em ergonomia e aprendizagem ativa. SAS — Sistema de ensino completo para instituições privadas. Escola da Inteligência — Desenvolvimento socioemocional como serviço integrado à escola. Isaac — Soluções financeiras para gestão de mensalidades e inadimplência. International School — O Programa Bilíngue do Brasil presente para apresentar soluções acessíveis a escolas de todos os portes. Inforgeneses — Sistemas de software completos para a gestão escolar. Compasso — Especialista em comunicação visual: outdoor, painéis de LED, lonas, adesivos e impressões.
Cota Ouro:
School of Schools — Materiais didáticos e soluções integradas para instituições. Sistema Etapa — Sistema de ensino com tradição e alcance nacional. Vortex Educação — Sistema de ensino com foco em resultados pedagógicos. Mateus Supermercados — O maior varejista e atacadista do Maranhão marcou presença com os stands da BIC e da Chamex, aproximando a marca do universo educacional. Kedu — Solução financeira especializada para instituições de ensino e Editora do Brasil com um super Catálogo de Obras, Literaturas, Projetos de Leitura, Suplementos de Atividades, Catálogo de Lançamentos, Catálogo de Literatura Infantil e etc.
Cota Prata:
Kelvin Sistema de Ensino, Bernoulli e Verbum trouxeram suas propostas de sistemas de ensino a gestores que buscavam alternativas e inovações curriculares. Limax apresentou soluções em limpeza e segurança para ambientes educacionais. IDOMED — Programas educacionais estratégicos e personalizados para o setor da saúde. Bith Cantina com soluções completas voltadas para cantinas escolares e institucionais.
Cota Bronze:
Peper Seguros — Seguro escolar para proteção de alunos e instituições.
Apoio:
Cia Sports esteve presente com sua proposta de terceirização esportiva, recreação e palestras motivacionais. Sales Advogados apresentou no stand a Scanschool, aplicativo moderno e completo para gestão de pesquisas e questionários em ambientes educacionais — que, no encerramento do congresso, ganhou um papel especial. A Unitá Arquitetura foi responsável pela elaboração do layout da planta baixa do evento, enquanto a Aon Advogados contribuiu com a indicação do profissional que ministrou a palestra sobre a reforma tributária e seus impactos diretos no setor educacional. Já a Seridoense reforçou sua atuação com soluções em cantinas para escolas e instituições. A Revista Direcional Escolas, veículo de mídia impressa e digital voltado à gestão educacional, que não teve stand no local mas que completou o ecossistema de parceiros.
Educa|MA 2027: até breve
O Educa|MA não poderia encerrar sem uma última surpresa — e ela veio da Scanschool, que realizou o sorteio de um tablet entre os participantes. A ganhadora foi Pauliérica de Sousa Carvalho, da instituição de ensino UNISULMA. Um encerramento à altura: um presente para quem apostou no evento, e um símbolo de que a tecnologia e a educação andam de mãos dadas.
O Educa|MA encerrou seus dois dias com a sensação de que algo foi inaugurado — não apenas um evento, mas uma cultura. A cultura de que o Maranhão não precisa esperar permissão do eixo Sul-Sudeste para liderar conversas sobre educação.
Os gestores foram embora com anotações nas cadernetas, contatos novos no celular e, mais importante, com perguntas que não tinham antes. Perguntas incômodas, produtivas — do tipo que muda o que se faz na segunda-feira de manhã.
O Educa|MA 2027 ainda não tem data confirmada. Mas a energia de quem saiu deste congresso já está construindo o próximo.